quarta-feira, 11 de março de 2015

Policial branco mata negro desarmado em mais um caso nos EUA



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Foto de arquivo mostra o policial Robert Olsen, que atirou em homem negro nu em Atlanta (Foto: REUTERS/DeKalb County Police Department/Handout via Reuters)

Um policial branco matou com dois disparos um homem negro desarmado, possivelmente com problemas mentais e que teria investido contra o agente, no estado americano da Geórgia (sudeste), informaram autoridades locais nesta terça-feira (10), acrescentando que o episódio será investigado por uma agência independente.
De acordo com o chefe de polícia do condado de DeKalb, Cedric Alexander, um policial foi a um conjunto residencial na segunda à tarde, atendendo a uma chamada por telefone sobre um homem nu que estava batendo nas portas do prédio e se arrastava pelo chão.
No estacionamento, o agente encontrou o homem sem roupa, que se dirigiu contra ele, sem atender às ordens de “mãos ao alto”. O policial sacou, então, sua pistola e atirou duas vezes. O indivíduo morreu no local, acrescentou Alexander, em entrevista coletiva.
Identificado por jornais americanos como Anthony Hill, de 27 anos, o homem morto estava desarmado. Por esse motivo, a polícia do condado de DeKalb pediu uma investigação independente ao Escritório de Investigação da Geórgia (GBI, na sigla em inglês).
“O que eu pedi aqui é resultado do que está acontecendo, atualmente, nesse país, no que diz respeito a tiroteios envolvendo policiais”, explicou Alexander. “Queremos apenas ser o mais transparente e justo possível”, frisou.
“O comportamento do homem morto pelo agente leva a assumir, de maneira razoável, que ele tinha problemas mentais’, completou.
Há sete anos na corporação, o policial envolvido neste episódio ficará afastado até o fim da investigação.
Na semana passada, outro jovem afro-americano foi morto pelo disparo de um policial, em Madison, no estado de Wisconsin (norte). O agente alegou ter reagido em legítima defesa, após ser atacado. O caso gerou protestos nos últimos dias.
PROTESTOS
Em 2014, as mortes de homens negros desarmados e as consequentes absolvições dos policiais autores dos delitos deflagraram uma série de manifestações contra o uso excessivo da força por parte de policiais.
Em julho, o camelô de cigarros contrabandeados Eric Garner, 43, foi morto por um policial no Brooklyn, em Nova York, que lhe deu uma gravata em uma abordagem. Um júri decidiu em novembro não indiciar o agente responsável, David Pantaleo.
Mesmo destino teve o policial Darren Wilson, que matou a tiros o jovem Michael Brown, 18, em Ferguson, no Missouri, no mês de agosto. Os protestos da cidade foram violentos e terminaram com saques e confrontos com a polícia.
Na época em que os dois policiais dos casos Ferguson e Brooklyn tiveram as acusações retiradas, os policiais de Cleveland, em Ohio, mataram Tamir Rice, 12, que brincava em um parque da cidade com uma arma de brinquedo.
No último sábado (7), o presidente Barack Obama disse que as mortes de cidadãos negros desarmados por policiais no país são um exemplo de que o racismo ainda resiste.
“Não precisamos do documento sobre Ferguson para dizer que isso não é verdade”, disse, fazendo referência ao informe em que o Departamento de Justiça denuncia a discriminação racial da polícia da cidade do Missouri.