quinta-feira, 23 de abril de 2015

Filha de funkeira goiana assassinada recebe ameaças

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A filha da dançarina goiana Amanda Bueno, assassinada pelo noivo na última quinta-feira (16) no Rio de Janeiro, foi vítima de uma ameaça enviada por mensagem em uma rede social. “Que sirva de exemplo para você”, diz o texto.
Emilly Cristina Sena, de 11 anos, denunciou em sua página no Facebook a mensagem agressiva que recebeu. “Gente Boa Tarde Ajudem a Denunciar Esse Facebook Aqui Vejam o Que Esse Doente Falou…Ajudem a Denunciar o Facebook Dele (sic)”, publicou a garota.
Vários amigos de Emilly manifestaram apoio. “Tem uma delegacia específica para esses casos. Acho que não deveríamos denunciar só a conta dele no Facebook. Isso é um doente”, diz uma das postagens.
O caso será investigado pelo 1º DP de Anápolis.
Enterro
Amanda foi enterrada em TrindadeRegião Metropolitana de Goiânia no último dia 19. A filha da dançarina conta que só acreditou na morte ao ver o caixão durante o velório. “Assisti ao vídeo, vi as fotos que tiraram, mas ainda não tinha acreditado. Meu mundo caiu”, disse, no momento em que chegou com parentes ao cemitério.
A menina disse que estava na expectativa pela visita da mãe no feriado de Tiradentes, mas foi surpreendida com a notícia da morte dela, na quinta-feira. “Eu estava numa alegria na escola, falei para as minha amigas que elas iam conhecer a minha mãe. Ai, quando eu cheguei em casa vi minha avó e meu primo de 9 anos chorando, dai ele me contou, eu desmaiei, fui parar no hospital”, se recorda Emilly.
Apesar da distância, Emilly diz que Amanda era uma mãe presente e falava todos os dias com a filha. “Vou sentir falta do jeito que ela me chamava de princesa, das brincadeiras com as bonecas. Ela era muito carinhosa, vou sentir falta de tudo”, lamenta. Órfã de pai há cinco meses, a estudante continuará morando com a avó.
Crime
O crime ocorreu na casa onde Amanda morava com o noivo, na região da Posse, em Nova Iguaçu. Segundo a polícia, no vídeo que mostra o homicídio, é possível ver que Miltinho pegou a vítima pelo pescoço, bateu com a cabeça dela 11 vezes em uma pedra do jardim e deu 10 coronhadas na cabeça dela. Em seguida, entrou em casa, vestiu o colete à prova de balas e se armou com um revólver, três pistolas e uma espingarda calibre 12. Ao passar pelo corpo, deu tiros com a pistola e com a espingarda no rosto da vítima.
Após a morte, Miltinho saiu, rendeu dois homens e roubou um carro, mas foi preso logo depois do crime, ao capotar durante fuga da polícia. Quatro armas, incluindo uma escopeta semelhante à que aparece no vídeo, foram encontradas no veículo.
Para o delegado Fábio Cardoso, Divisão de Homicídios da Baixada,o crime pode ter sido motivado por ciúmes. Miltinho teria almoçado com uma ex-namorada que, no dia do crime, ligou para Amanda para provocá-la. A ligação teria gerado uma briga e o noivo saiu de casa. Mais tarde, ele teria voltado cambaleando.
Após ser preso, Miltinho admitiu o assassinato, segundo afirmou o advogado Hugo Assumpção. O defensor destacou que ele alegou ter sofrido um “surto” e que está arrependido do crime. Em depoimento, no entanto, ele se reservou o direito de ficar calado, conforme esclareceu o delegado Fábio Cardoso, responsável pelas investigações.
A polícia ainda apura se o suspeito tem ligação com milícias na região da Baixada Fluminense. “Diante do que a gente viu nesse crime, verificando o poderio financeiro dele, com veículos muito caros, a posse de um verdadeiro arsenal, com armas de grosso calibre e farta munição, somado ao fato dele estar envolvido com exploração do transporte clandestino na cidade e considerando essa violência desmedida com uma pessoa com quem ele vivia, tudo indica que ele pode ter envolvimento com grupos criminosos que atuam naquela região”, disse o delegado.