quinta-feira, 9 de abril de 2015

Pamonharia é reaberta com cartaz em homenagem a cozinheira morta



cartaz
A pamonharia onde trabalhava a cozinheira Marizete de Fátima Machado, 53 anos, morta após ser baleada e queimada, foi reaberta nesta quarta-feira (8), no Jardim América, em Goiânia. Os proprietários do estabelecimento prestaram homenagem à ex-funcionária, assassinada após uma suposta disputa comercial. “Marizete, temos certeza que você foi um mártir com sua força para livrar as pessoas da morte”, diz um cartaz com uma foto da mulher.
O proprietário do estabelecimento afirma que ainda busca outra funcionária para substituir Marizete, mas já pretende voltar a servir as refeições. Ela trabalhou no local por nove anos e era tida como da família pelos patrões. “O que não podia acontecer, já aconteceu. O passado não pode ser mudado, a gente tem que olhar para frente e prosseguir”, afirma Maria Helena da Silva Campos, uma amiga da cozinheira.
O crime aconteceu no dia 29 de março, quando Marizete saía do trabalho e foi obrigada a entrar em um carro. Ela foi levada até um matagal em Abadia de Goiás, na Região Metropolitana, onde foi baleada e queimada.
Mesmo ferida, Marizete caminhou cerca de 2 km e conseguiu pedir ajuda. Ela teve mais de 40% do corpo queimado e morreu após dois dias internada no Hospital de Urgências de Goiânia (Hugo).
A Polícia Civil finalizou o inquérito sobre o caso na terça-feira (7) e indiciou a comerciante Sueide Gonçalves da Silva, 56 anos, e o filho dela, o também comerciante Willian Divino da Silva Moraes, de 28 anos, pelo crime. Eles são donos de uma pamonharia que disputava clientes com o estabelecimento onde a vítima trabalhava. Para a polícia, essa briga comercial motivou o assassinato.
Entretanto, Sueide afirmou que cometeu o assassinato porque, segundo ela, Marizete era “feiticeira”. “Ela matou minha mãe em uma obra de feitiçaria. Eu a odeio. Ela matou a minha mãe”, disse.
Prisão
Antes de morrer, Marizete apontou Sueide e o filho dela como os autores do crime. A comerciante foi presa no dia seguinte ao homicídio. Já Willian foi preso na quinta-feira (2), em Quirinópolis.
Em um vídeo divulgado pelo Grupamento Aéreo da Polícia Militar (Graer), ele contou que a mãe foi a responsável pelo homicídio. “Eles ameaçavam minha mãe de morte. Todos os dias ficavam implicando. Minha mãe deu os tiros nela [vítima] e colocou fogo”, disse.
Ele também revelou que, após o crime, jogaram a arma no Rio Meia Ponte e abandonaram o veículo na cidade de Corumbá. Depois disso, o rapaz foi de táxi até a casa de parentes, onde ficou escondido.
Incêndio
Na sexta-feira (3), o Corpo de Bombeiros foi acionado para combater um incêndio na casa e na pamonharia de Sueide e Willian. Filho da cozinheira morta, Douglas Vinicius Machado de Abreu, 24 anos, confessou que incendiou local.
Chorando, ele lamentou a perda da mãe e afirmou que não é criminoso. “Todo mundo que está vendo na televisão sabe o que eu estou passando. Você acha que eu fiz isso porque sou bandido, malandro? Não! Foi por justiça”, desabafou. Detido em flagrante próximo do local incendiado, ele pagou fiança de um salário mínimo e deixou o 20º Distrito Policial no mesmo dia.
Fonte: G1 Goiás