O ministro do STF, André Mendonça não está para brincadeira. Hoje o ministro mandou prender o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, por atrapalhar investigações e por crimes de ameaças e invasão de sistema do MPF. Vorcaro monitorava jornalistas e chegou a cogitar agressões físicas contra rivais, segundo relatório da Polícia Federal (PF) enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF).
De acordo com mensagens analisadas pelos investigadores, o empresário ordenava a integrantes de seu núcleo que monitorassem jornalistas e adversários. Em uma das conversas, ele chega a sugerir uma agressão contra um crítico. Vorcaro utilizava colaboradores para levantar dados pessoais, acompanhar adversários e intimidar pessoas que contrariavam seus interesses. As informações constam em material extraído em operações anteriores.
Em uma das mensagens, Vorcaro conversa com Luiz Phillipi Machado de Moraes, apontado pela PF como responsável por levantar essas informações.
“Esse Lauro quero mandar dar um pau nele. Quebrar todos os dentes. Num assalto”, escreveu Vorcaro, em referência ao jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo.
Logo em seguida, o interlocutor responde: “Estamos em cima de todos os links negativos. Vamos derrubar todos e vamos soltar positivas”. Em outro trecho da conversa, Vorcaro insiste: “Quero dar um pau nele”. O colaborador responde: “Pode? Vou olhar isso…”.
O empresário então responde que “sim”.
Além de Vorcaro, o cunhado dele, Fabiano Campos Zettel, também é um dos alvos, apesar de não ter sido localizado pelos investigadores.
A terceira fase da Operação Compliance Zero tem como objetivo investigar a possível prática dos crimes de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos, praticados por organização criminosa.
Em seu pedido de prisão preventiva de Daniel Vorcaro ao ministro André Mendonça do Supremo Tribunal Federal, a Polícia Federal (PF) revela que o banqueiro conseguiu ocultar dos investigadores aproximadamente R$ 2 bilhões junto a uma empresa conhecida por lavar dinheiro das “mais perigosas organizações criminosas do Brasil”.
“Enquanto o Fundo Garantidor de Crédito sangrava para cobrir o rombo bilionário deixado pelo Banco MASTER no mercado financeiro, montante que alcança quase 40 bilhões de reais, DANIEL VORCARO ocultava de seus credores e vítimas mais de 2 bilhões de reais junto a empresa conhecida por lavar dinheiro das mais perigosas organizações criminosas do Brasil, conduta ilícita que se perpetuou mesmo após ter sido posto em liberdade”, disse a PF em sua manifestação encaminhada a Mendonça.