sábado, 18 de outubro de 2014

GloboNews exibe ironia do serial killer não mostrada no JN



Tiago-Rocha

Na noite de sexta-feira (17), o Jornal Nacional exibiu uma entrevista feita pela repórter Patrícia Bringel, da TV Anhanguera, afiliada da Globo emGoiânia, com o vigilante Tiago Henrique Gomes da Rocha, apontado como autor de 39 assassinatos na cidade.
Dividido em quatro partes, o material ocupou 4 minutos e meio da edição doJN. A edição privilegiou perguntas e respostas sobre os critérios para a escolha das vítimas e a vida íntima do acusado.
Além da repórter, a matéria teve intervenções do advogado Thiago Huáscar,defensor do assassino confesso, e de um delegado que acompanha o caso.
Uma hora depois da exibição no Jornal Nacional, a entrevista do serial killerganhou destaque no Jornal da Dez, comandado por Eduardo Grillo naGloboNews. No telejornal, o conteúdo gerado pela equipe de Patrícia Bringel foi compactado em 2 minutos e 20 segundos.
O diferencial em relação ao JN foi a exibição de um comentário irônico feito pelo vigilante, durante uma intervenção do delegado presente na sala.
Delegado: — Você pesquisava na internet esse ranking de serial killer?
Tiago da Rocha: — Uma vez só.
Delegado: — Você, hoje, gosta de se sentir incluído? No Brasil você vai estar, mais ou menos, em quarto aí nesse ranking. Como é que é isso pra você?
Tiago esboça um sorriso e ironiza: — Essa foto tá feia.
O delegado provoca: — Vamos tirar outra bonita.
Tiago da Rocha: — Pode ser.
TV não mostrou a imagem que contextualiza esse final do diálogo (a câmera estava direcionada para Tiago), mas a dedução lógica é que o acusado referiu-se à fotografia dele feita para constar no inquérito.
Esse detalhe da entrevista lembra um aspecto citado pelos especialistas: os criminosos em série gostam de flertar com a fama.
E é isso o que Tiago da Rocha acaba de conseguir. Todos os programaspoliciais farão uma cobertura ostensiva do caso e disputarão a audiência anunciando entrevistas exclusivas, revelações supostamente bombásticas, detalhes macabros.
Como escreveu o criticado autor Dan Brown: “Nada desperta mais o interesse das pessoas do que a tragédia humana”.