sábado, 29 de março de 2014

BARRA DO GARÇAS – MPE flagra “cemitério clandestino” de bois em frigorífico da JBS Friboi

BARRA DO GARÇAS – MPE flagra “cemitério clandestino” de bois em frigorífico da JBS Friboi


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Uma operação de fiscalização, realizada por uma força tarefa coordenada pelo promotor Marcos Brant da Costa, da Promotoria de Saúde e Meio Ambiente de Barra do Garças (MT), flagrou um “cemitério clandestino” de gado dentro da área do frigorífico JBS Friboi.
 Além do representante do MPE-MT, participaram da operação, representantes da Secretaria de Estado de Meio Ambiente de Mato Grosso (Sema-MT), da Vigilância Sanitária do Estado e do Município, agentes peritos da Polícia Técnica de Mato Grosso (Politec), além de agentes da Polícia Civil.
Com capacidade para abater 2.500 cabeças de gado por dia, conforme sua licença de operação, a planta da JBS Friboi em Barra do Garças é uma das maiores unidades industriais do grupo em Mato Grosso. 
Há informações, não confirmadas oficialmente, de que diretores e advogados da JBS Friboi, teriam se deslocado de São Paulo para Barra do Garças, na manhã da terça-feira, 25 de março, a fim de acompanharem a operação fiscalizadora.
Durante a operação, a força tarefa percorreu locais onde se suspeitava que a empresa estaria enterrando carcaças de gado morto durante o transporte, bem como restos não aproveitáveis dos animais abatidos. Em uma área rodeada por uma mata nativa, e longe de olhares curiosos, as autoridades ambientais, com a ajuda de máquinas pesadas de escavação, desenterraram restos de vários animais, comprovando a infração legal.  
Segundo uma fonte do Brasil Noticia, a operação de fiscalização na planta industrial da JBS Friboi em Barra do Garças é um desdobramento de uma vistoria realizada na segunda-feira, 24, pelo promotor Marcos Brant naquela unidade. Na visita, o promotor teria observado algumas irregularidades, quando decidiu então, aprofundar  a fiscalização com uma força tarefa.
 Bois enterrados – O “cemitério clandestino” de gado descoberto dentro do frigorífico da JBS Friboi configura um grave crime ambiental. A Lei Complementar 38 e o Código Ambiental de Mato Grosso exige que as carcaças dos animais mortos durante o transporte ou impróprios para o consumo humano em função de algum problema de sanidade, assim como as partes dos animais abatidos não aproveitáveis nas graxarias, devem ser incinerados. 
 A prática provoca a contaminação do solo e de mananciais hídricos devido ao “chorume” resultante da decomposição das partes moles dos animais enterrados.
 A JBS Friboi em Barra do Garças vinha descumprindo a legislação neste quesito, conforme constatou a fiscalização da força tarefa dos órgãos de proteção ambiental.  
 Inquérito – Além de problemas com a renovação de licenças de operação e funcionamento, a JBS Friboi vem sendo questionada ainda em suas práticas de controle e saneamento ambiental em outras plantas industriais.
Em Barra do Garças (MT), por exemplo, o Ministério Público Estadual (MPE), abriu um inquérito para apurar denuncia de que a JBS Couros teria contaminado o lençol freático e outros mananciais aqüíferos de seu entorno. 
 O promotor Marcos Brandt, da promotoria de saúde daquele município, aguarda apenas os laudos da perícia técnica feita em amostras de água e solo colhidos no entorno da indústria para concluir o inquérito. “Com os laudos periciais confirmando a contaminação, teremos as provas necessárias para apresentar denuncia judicial contra a JBS Couros e até mesmo para pedir o fechamento da indústria até que os eventuais danos ambientais sejam reparados”, revelou o representante do Ministério Público.

Fonte: A Gazeta do Vale do Araguaia