sábado, 14 de dezembro de 2013

Coréia do Norte: o ditador Kim Jong-un aterroriza seu país após executar o próprio tio


Kim Jong-Un



A execução fulminante, na quinta-feira, de Jang Song-thaek, tio do líder norte-coreano, Kim Jong-un, apenas três dias depois de ser confirmado seu expurgo, volta a expor o poder absoluto e o reinado de terror que a dinastia Kim exerce há três gerações.
Jang, de 67 anos, foi um homem muito próximo a Kim Jong-Il – pai de Kim Jong-un – e era considerado até recentemente a segunda pessoa mais poderosa do país, como mentor do jovem líder desde que este ascendeu ao trono comunista de Pyongyang, depois da morte de seu pai, vitimado por um enfarte em dezembro de 2011. Ainda estão frescas na memória as imagens de um Jang hierático, caminhando atrás do jovem Kim junto ao carro no qual o ataúde com o corpo de seu pai desfilou pelo centro do Pyongyang, durante o funeral do chamado Querido Líder. Kim Jong-un e Jang pareciam unidos naquele cortejo fúnebre, onde as demonstrações de pesar da multidão – uma mescla de tristeza sincera, tensão emocional e obrigação de carpideira – surpreenderam ao mundo.
Possivelmente, durante aquele percurso pelas ruas frias e sem alma de Pyongyang, a mente e as ambições do homem forte do regime, o marido de Kim Kyong-hui, a irmã de Kim Jong-Il, já voavam muito mais alto do que a tarefa de regente que lhe havia sido encomendada. Conforme assegurou o Governo, Jang manobrou para assumir o controle do país, foi descoberto e, na quinta-feira, foi executado por traição. A agência oficial de notícias norte-coreana, a KCNA, afirmou que ele cometeu “crimes horrorosos, como tentar derrubar o Estado mediante todo tipo de intrigas e métodos desprezíveis, com a selvagem ambição de se apossar do poder supremo do nosso partido e do nosso Estado”.
“Há muito tempo Jang tinha uma suja ambição política. Não se atreveu a erguer a cabeça quando Kim Il-sung [fundador da Coreia do Norte e avô de Kim Jong-un] e Kim Jong-Il estavam vivos”, disse a KCNA. “Começou a revelar sua verdadeira cor e a pensar que havia chegado o momento de realizar sua ambição selvagem durante o período de mudança histórica em que a geração da revolução foi substituída”.